Andrei Bastos
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08/02/2010 00:13
Choque de acessibilidade

ANDREI BASTOS

Voltei das férias em Búzios e deixei o carro na oficina para fazer um reparo que atrasaria a viagem se feito antes. Depois disso, fiz uma visita à minha mãe, em Copacabana, e, quando fui para casa, no fim da tarde, resolvi ver se também tinham promovido um “choque de acessibilidade” testando os novos ônibus adaptados em circulação. Triste decisão.

Cheguei ao ponto na Rua Figueiredo Magalhães, em frente ao hospital Copa D’Or, e dei início aos incontáveis senta, levanta e estica o pescoço para ver se vinha um ônibus 434 adaptado. Muitos podem pensar que eu, como muletante, não preciso da adaptação. Grande erro. Muito longe de ter sido atleta algum dia, tenho 58 anos e tive que desarticular minha perna esquerda aos 52, já com tudo o que uma boa vida sedentária e regada a cerveja pode proporcionar ao corpo.

Além disso, pensar que a adaptação é apenas para os cadeirantes é erro maior ainda. Adaptados ou acessíveis, que é o correto, os mecanismos de acessibilidade devem atender a todos que tenham mobilidade reduzida e corram perigo com os degraus altos. O problema de quem usa cadeira de rodas é mais evidente, mas obesos, mulheres grávidas, cegos, amputados etc. têm a mesma necessidade de entrar no ônibus com a autonomia e a segurança que os degraus não oferecem.

Depois de perder a conta dos “434” sem adaptação que passaram em 68 minutos de espera estressante, dei sinal para o primeiro ônibus adaptado que apareceu e me deixaria perto de casa, embora esse “perto” correspondesse a duas quadras a mais que o outro.

Muitas outras pessoas também sinalizaram e, quando o ônibus parou, se encaminharam para a porta dos degraus altos, na frente. Fiz um sinal para o motorista indicando a porta traseira, com elevador, e ela se abriu quando cheguei diante dela. Certo de que meu gesto tinha sido entendido, fiquei aguardando que o mecanismo funcionasse, mas nada. De repente, as duas bandas da porta começaram a se fechar e o veículo a andar. Segurei firme nos corrimãos, com as muletas presas aos braços, e impedi o fechamento da porta com o corpo.

Eu e outros passageiros começamos a gritar e o ônibus parou. O motorista desceu, se aproximou e me disse, vejam só, que o elevador era exclusivo de cadeirantes e que eu deveria subir pela frente. Minha resposta calma foi perguntar se, em caso de acidente, quem deveria ser processado: ele, a companhia, o prefeito ou todas as opções? Desconcertado e com a ajuda da trocadora, que acabara de chegar, o homem resolveu acionar o elevador, sob aplausos de todos.

Foi então que descobrimos que nenhum dos dois sabia operar a geringonça, mas, já agora contando com a paciência geral, apertaram uns botões e fizeram a máquina funcionar. Ufa! Em seguida, já instalado em meu assento na área reservada a pessoas com deficiência, eles me indicaram o botão que eu deveria pressionar e que acenderia uma luz azul diante do motorista, diferente da outra, vermelha, quando chegasse ao meu destino.

No momento certo pressionei o botão da luz azul, mas o ônibus não parou no meu ponto e precisei gritar novamente, junto com passageiros próximos. Outra vez os gritos pararam o veículo, só que duas quadras além das duas que já excediam anteriormente. Caraca!

Prefeito, estou chocado com essa acessibilidade no transporte coletivo! Se o senhor acha que exagero, por favor, me acompanhe em apenas uma viagem de ônibus.

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06/02/2010 00:21
Senta Que Eu Empurro

O Bloco de Carnaval que transborda alegria!!!

Venha participar!!!

Dia: 12 de fevereiro (sexta-feira)
Hora da Concentração: 18 horas
Local da Concentração: Rua Artur Bernardes, em frente ao nº 26 A – Catete – Rio de Janeiro
Hora da Saída: 20 horas
Percurso: Rua Artur Bernardes, pequeno trecho da Rua Bento Lisboa, Rua Dois de Dezembro, finalizando em frente ao Restaurante Paraíso do Chopp.

As camisetas estão à venda, faça sua reserva!!!
Valor da Camiseta: R$ 15,00

Informações: 3235-9290 / 9181-2750 (Ana Cláudia)

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06/02/2010 00:19
Filmes em celular na Maré

OFICINAS DE FILMES EM CELULAR

Do dia 08 ao dia 12 de fevereiro a Redes de Desenvolvimento da Maré oferecerá, em parceria com o Projeto Verão no Morro, uma oficina de filmes em celular. A oficina, cujo objetivo é fomentar o interesse pela linguagem audiovisual, produzirá filmes de até 01 minuto, com temáticas como diversidade, cultura, cidadania, urbano/cidade, juventude, futuro, tecnologia, meio ambiente, família e amizade. Essas micrometragens abrirão a mostra Cinema no Morro, um evento que compõe o Projeto Verão do Morro, realizado no Morro da Urca e patrocinado pelo Santander e Redecard, que trará para o Rio de Janeiro pré-estréias de dez filmes brasileiros, como Cabeça a Prêmio, Natimorto, entre outros. Após cada mostra, haverá show com artistas nacionais, entre eles: Ana Carolina, Marcelo D2, Sandra de Sá, Diogo Nogueira, Maria Rita, Moinho, Paralamas do Sucesso, Preta Gil, Fernanda Abreu, Maria Gadú e Erasmo Carlos. O evento acontecerá de 19/02 a 20/03 no Morro da Urca.

Ainda há vagas para as oficinas.
Inscreva-se na sede da Redes de Desenvolvimento da Maré, Rua Sargento Silva Nunes, 1012, Nova Holanda - Maré.


Att,
Comunicação da REDES
www.redesdamare.org.br
3104-3276

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04/02/2010 21:26
Crítica ao Ricardo Boechat

Minha amiga Márcia Benevides fez uma crítica muito procedente ao jornalista Ricardo Boechat, com quem trabalhei no Globo por um bom tempo. Acredito que minha relação com Boechat foi além de simplesmente profissional e que, ao menos de minha parte, foi construída uma boa amizade.

A maneira que tenho de endossar o que Márcia disse é publicar aqui o e-mail que ela enviou para a Bandnews:


Prezados,

Gostaria de fazer uma crítica ao Ricardo Boechat.

Hoje, dia 4 de fevereiro de 2010, quinta-feira, por volta das 7:30, ele fez um comentário sobre a iniciativa do Governo em investir 1 bilhão de reais na criação de cédulas com tamanhos diferenciados, a fim de proporcionar maior independência às pessoas com deficiência visual.

Pois bem…

Segundo ele:

“Tudo bem que devemos pensar nas pessoas com deficiência visual, pois elas fazem parte da sociedade, mas será que o Governo não poderia investir este dinheiro em coisas mais importantes?”

Ele ainda fez um breve comentário, dizendo que a informação que ele tinha era que pessoas com deficiência visual conseguem diferenciar as notas com o tato, mas que ele não tinha certeza desta informação.

Esse foi o comentário que ele fez!

Sempre admirei as colocações do Boechat, mas desta vez ele foi muito infeliz!

Boechat,

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que os deficientes visuais não reconhecem as cédulas. Eles podem até ter alguns macetes para diferenciá-las. Geralmente, eles pedem a pessoas de confiança para dizer os valores das notas, guardando-as em locais diferentes (carteira, bolso direito da calça, bolso esquerdo da calça, bolso da camisa, etc), a fim de facilitar o manuseio das mesmas.

Em segundo lugar…

Sabemos que existem inúmeras ações importantes a serem resolvidas no Brasil e no mundo e que, de fato, 1 bilhão de reais é um enorme investimento. No entanto, acho que já passamos da hora de respeitarmos e aceitarmos as pessoas com deficiência como cidadãs.

Por que todos os assuntos relativos às pessoas com deficiência nunca são vistos como “coisas importantes”?

Por que as ações voltadas para essas pessoas sempre ficam “na gaveta”?

Por que sempre são colocadas em pauta a serem resolvidas em momento posterior e, na verdade, nunca são resolvidas?

Chega de exclusão social!!!

Chega de excluirmos negros, obesos, deficientes, portadores de HIV, homossexuais, feios, pobres… Enfim, chega de ficarmos em uma posição de “julgadores” daquilo ou daqueles que, apenas por não atenderem à padronização social estabelecida por não sei quem, não conseguem exercer, minimamente, sua cidadania de forma plena e digna.

Meu nome é Márcia Benevides. Sou psicóloga e tenho deficiência visual. Estou inserida no mercado de trabalho formal e tenho uma vida social totalmente “normal”, necessitando, portanto, manusear notas de dinheiro em meu dia-a-dia, como qualquer outra pessoa que não possui “deficiência aparente”. Digo “deficiência aparente” porque muitos por aí, como talvez seja nosso querido Boechat, possuem inúmeras deficiências que, de uma forma hipócrita, não são visíveis aos olhos de grande parte das pessoas.

Quero registrar aqui minha indignação quanto à colocação do Boechat.

Meu caro Boechat, dessa vez “sua bola foi pela linha de fundo”!!!

PS: Gostaria muito que essa mensagem fosse transmitida ao Ricardo Boechat.

Grata,

Márcia Benevides

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31/01/2010 21:44
Foliões apaixonados

ANDREI BASTOS

Ao contrário do que diz a marchinha, este ano vai ser rigorosamente igual aquele que passou, e a muitos dos que vieram antes. Pelo menos para Ivete e Roberto, seu companheiro, ambos cegos, dos olhos e de amor. Eu os conheci no carnaval de 2007, no Sambódromo, e fui cativado pela beleza e animação do casal que, mesmo em meio a tanta festa e fantasia, se destacava e chamava atenção sem usar nenhum paetê. Seus sorrisos bastavam.

No entanto, meus amigos são triplamente excluídos. Pobres, negros e com deficiência, eles teriam muito do que se queixar não fosse a grande alegria por estarem juntos, e que manifestam a todo instante. Especialmente Ivete, que transborda sua felicidade em tudo o que faz ou diz. Isso não quer dizer, de modo algum, que o jeito Cartola de ser de Roberto, que vai além da semelhança física e chega à própria alma de sambista, abrigue um coração amargurado ou triste.

Aos nove anos, Ivete perdeu a visão de um olho e, aos 37, do outro. Com 63 anos, ela trabalhou como técnica de câmara escura (Raios X) no Hospital Cardoso Fontes e, como professora, se especializou para ensinar pessoas com deficiência visual no Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro. Não foi aceita em nenhuma escola e, por isso, se dedica a ensinar crianças cegas em sua própria casa.

Cinco anos mais jovem que sua companheira e também técnico de câmara escura, Roberto perdeu a visão num acidente, aos 39 anos, e está casado com Ivete desde 1991. Moradores de Guadalupe, eles vão a todos os dias de desfile, todos os anos, e ficam até o final, invariavelmente acompanhados por Esther, afilhada de Ivete, que não tem o mesmo entusiasmo e sempre dorme fazendo as bolsas de travesseiros, mas sem reclamar – faz questão de deixar claro.

Estes dois foliões apaixonados realmente nos fazem pensar! Pode até ser que a paixão de um pelo outro seja a origem de todo o resto do muito amor pela vida, pelo carnaval, pelo samba, mas isso não diminui o significado da celebração da existência que representam. Ao se colocarem no mundo com seus sorrisos e com sua altivez, diante de preconceitos e discriminação em três realidades simultâneas – pobreza, negritude e deficiência –, Ivete e Roberto nos ensinam a viver, e a vencer.

Toda a riqueza e todas as respostas estão contidas nestas duas pessoas e na generosidade delas. Quem os vê não consegue identificar neles nenhuma marca da maldade ou inconsciência humanas, e esta é sua maior vitória contra o preconceito e a discriminação. Três vezes.

Três vezes precisamos aprender a colocar a inconsciência e a incivilidade nos seus devidos lugares e ignorá-las ou anulá-las com nossa capacidade de amar, principalmente a nós mesmos. Se afirmarmos nosso amor em todas as suas formas, pela nossa companheira ou companheiro, pelo nosso estudo ou trabalho, em nossa sexualidade ou em nossa arte, superaremos a maior de todas as barreiras, a que está em cada um de nós.

É claro que isto se aplica a todas as pessoas e preconceito e discriminação não são padecimentos exclusivos de determinados segmentos. Como cada ser humano é de um jeito, a rigor todos estão incluídos nesta sina, só que uns precisam se afirmar mais do que outros, por serem mais “diferentes”, como é o nosso caso, de foliões apaixonados com deficiência.

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27/01/2010 23:31
Perdão para o Haiti

Ajude o Haiti - cancele a dívida externa

Olá,

Eu acabei de assinar uma petição pedindo o cancelamento da dívida externa do Haiti de USD$ 1 bilhão. O povo do Haiti não deveria ter que pagar uma dívida feita por ditadores não eleitos do passado enquanto eles tentam se recuperar do terremoto.

Leia mais abaixo, ou clique para assinar a petição:

http://www.avaaz.org/po/haiti_cancel_the_debt_7/98.php?CLICK_TF_TRACK

*****************

Caros amigos,

É chocante: mesmo com ajuda sendo direcionada para as comunidades desesperadas do Haiti, o dinheiro sai por outro lado para pagar a dívida externa exorbitante do país. Mais de $1 bilhão de uma dívida injusta acumulada anos atrás por credores e governos inescrupulosos.

O chamado pelo cancelamento total da dívida externa do Haiti está ganhando força ao redor do mundo e já convenceu alguns governantes. Porém, rumores dizem que outros países credores ainda estão resistindo. O tempo é curto: os Ministros das Finanças do G7 irão tomar uma decisão semana que vem em um encontro no Canadá.

Vamos gerar um chamado global por justiça, compaixão e bom senso para o povo do Haiti neste momento de tragédia. A Avaaz e parceiros irão entregar o chamado pelo cancelamento da dívida externa diretamente no encontro. Clique abaixo para assinar a petição e depois divulgue para os seus amigos:

http://www.avaaz.org/po/haiti_cancel_the_debt_7/98.php?CLICK_TF_TRACK

Mesmo antes do terremoto, o Haiti já era um dos países mais pobres do mundo. Depois que os escravos Haitianos ganharam a independência em 1804, a França demandou bilhões em indenização – lançando uma espiral de pobreza e dívidas injustas que já duram dois séculos.

Há alguns anos, campanhas globais pelo cancelamento de dívidas externas despertaram a consciência do mundo. Nos últimos dias, sob uma pressão crescente, financiadores começaram a dizer a coisa certa sobre o cancelamento da dívida externa do Haiti, que ainda é um fardo devastador para o país.

Porém o problema está nas entrelinhas. Depois do tsunami em 2004, o FMI anunciou um alívio no pagamento da dívida externa dos países atingidos – mas os juros continuaram a acumular. Quando a atenção pública diminuiu, os pagamentos da dívida eram maiores do que nunca.

Chegou a hora de cancelar a dívida externa do Haiti incondicionalmente para garantir que a ajuda enviada seja em forma de doação e não empréstimo. Uma vitória agora irá afetar a vida das pessoas do Haiti, mesmo depois que a atenção do mundo se dissipar. Participe do chamado pelo cancelamento da dívida externa e depois encaminhe este alerta para pessoas que se preocupam também:

http://www.avaaz.org/po/haiti_cancel_the_debt_7/98.php?CLICK_TF_TRACK

Enquanto assistimos as imagens na televisão e pela Internet, é difícil não se comover. E a relação dos países ricos com o Haiti é de fato bastante obscura.

Porém, momentos como este podem trazer transformações. Ao redor do mundo, milhões de pessoas fizeram doações para salvar vidas no Haiti. Apoiadores da Avaaz contribuíram mais de USD$ 1 milhão nos últimos 10 dias. Porém, nós precisamos erguer as nossas vozes como cidadãos globais para trazer à tona as causas humanas que deixaram nossos irmãos e irmãs do Haiti tão vulneráveis aos desastres naturais.

Não podemos fazer o suficiente para mudar tudo, mas vamos fazer tudo que podemos.

Com esperança,

Ben, Alice, Iain, Ricken, Sam, Milena, Paula e toda a equipe Avaaz

PS: Para fazer uma doação para o Haiti, clique aqui:
https://secure.avaaz.org/po/stand_with_haiti/98.php?CLICK_TF_TRACK

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24/01/2010 08:57
Acessibilidade em Búzios

ANDREI BASTOS

Nessas minhas férias em Búzios, surpreso com vagas de estacionamento reservadas respeitadas, ônibus adaptados, rampas e calçadas rebaixadas, fiquei curioso e procurei saber como tinha sido essa história da acessibilidade no pedaço. Conversando aqui e ali, dando uma olhada nos arquivos dos jornais locais, constatei, mais uma vez, que do céu só cai chuva mesmo.

Descobri com as conversas e na pesquisa que, em 2006, a então deputada estadual Georgette Vidor, paraplégica, esteve na cidade fazendo palestras sobre acessibilidade e distribuindo cartilhas do Núcleo Pró-Acesso da UFRJ e que, no entanto, nesse mesmo ano foi sancionado um Plano Diretor que não contemplava as necessidades das pessoas com deficiência.

Também fiquei sabendo que, depois de algumas iniciativas para isso em outras cidades da Região dos Lagos, na forma de eventos para conscientização, só recentemente, em 2009, e por conta de uma decisão judicial, é claro, o município passou a respeitar a lei e a se tornar acessível.

Assim, a verdadeira história da acessibilidade em Búzios começa com Juciara Tardelli dos Santos Silva, paralítica dos membros inferiores, que “foi constrangida a ‘rastejar’ pelos degraus, para conseguir subir no ônibus”, inclusive ferindo-se pela acomodação inadequada durante a viagem. Ela acionou a empresa Salineira, que foi condenada pelo juiz João Carlos Corrêa, titular da 1ª Vara da Fazenda Pública, a lhe pagar uma indenização e a providenciar a adaptação de veículos.

Ou seja, caro leitor, sem Brahma não dá! Quer dizer: sem briga, sem luta pelos nossos direitos, nas cidades mais desenvolvidas ou em paraísos como Búzios, a inclusão das pessoas com deficiência não cai do céu, não acontece como simples resultado do discernimento humano.

Portanto, se o novelista Manoel Carlos levar Luciana para tomar sorvete e fazer compras na Rua das Pedras, fugindo do calor do “Rio 50 graus” num dos próximos capítulos ainda de verão de “Viver a Vida”, dará ao seu gigantesco público Brasil afora uma excelente oportunidade de se conscientizar e refletir sobre os benefícios da acessibilidade para todos e sobre a importância de se lutar por isso. Ricos, pobres, com deficiência ou não, em Búzios, no Leblon ou na favela da Sandrinha, a personagem que vive no extremo oposto ao glamour do high society e das passarelas, todos poderão se engajar nessa luta.

A simples existência da personagem tetraplégica na novela já é grande contribuição para a perda da nossa “invisibilidade” e, certamente, as questões das pessoas com deficiência também já estão sendo melhor compreendidas através do dia a dia de Luciana mostrado na TV.

Com tudo isso, talvez a acessibilidade passe um pouco a fazer parte do ideário popular, o que contribuirá para uma nova visão do mundo em que vivemos e para que muitas ações judiciais deixem de acontecer por inexistência de motivos, da mesma forma que deixarão de existir muitas outras Juciaras constrangidas.

***

Leia também:

Vidinha mais ou menos…

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19/01/2010 12:55
Praia Para Todos

O Espaço Novo Ser tem o prazer de convidar para a inauguração do Projeto PRAIA PARA TODOS - Projeto Itinerante de Lazer e Desporto para Pessoas com Deficiência nas Praias Cariocas - no dia 24 de janeiro, às 9 hs, na Barra da Tijuca, Posto 3, em frente à Praça do Ó.

Nena Gonzalez
Espaço Novo Ser - Acessibilidade Plena e Inclusão Social
www.novoser.org.br
www.praiaparatodos.com.br
Tel: 21 3904-2614

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19/01/2010 10:13
Bloco Gargalhada

SAMBA QUE ATÉ SURDO “OUVE”

Como vem fazendo há cinco anos, o Bloco Gargalhada contará com a presença de um intérprete de Libras (Liguagem de Sinais) em todos os seus eventos, prestigiando e incluindo a comunidade surda que participa do bloco.

Com o tema “Arruda, Comigo-Ninguém-Pode, Vence-Demanda… Brasil, Vamos abrir caminho que vem a Copa e a Olimpíada aí Gente!…” o irreverente bloco de Vila Isabel promete proporcionar muitas gargalhadas e um show de alegria e bom humor em seu desfile no domingo, dia 14 de fevereiro.

A escolha do samba acontecerá no feriado, 20 de janeiro, a partir das 14:00 na Associação Atlética Vila Isabel, rua Vinte Oito de Setembro, 160, Vila Isabel. A entrada é franca. Opcional Angu à Baiana.

Contatos: Yolanda Braconnot - Presidente do Bloco 21 9979 9397 ou 22643566

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16/01/2010 13:18
Vidinha mais ou menos…

ANDREI BASTOS

Are baba! Estou curtindo umas férias em Búzios durante o mês de janeiro, “levando uma vidinha mais ou menos…”, como disse minha nora Jaqueline ao me visitar. Um dia na piscina, outro na praia, tomando sorvete na Rua das Pedras, lendo um livro na rede da varanda. É mole ou quer mais?

Como sempre quero mais – acessibilidade, fim de preconceito e discriminação, inclusão –, nessa minha estada em Búzios olho para a cidade com bastante rigor em relação à sua adequação às pessoas com deficiência. Afinal, como se não bastasse respeitar a lei, o balneário divide com o Rio de Janeiro a principal ambientação da novela “Viver a vida” da TV Globo, que tem uma das protagonistas tetraplégica.

Numa sexta-feira à noite, eu, Jaqueline e Elisa, minha neta, fomos passear na Rua das Pedras. Com o enchimento de gente normal do verão aumentado por ser véspera de fim de semana, as estradas e ruas estavam congestionadas e os estacionamentos lotados. Depois de procurarmos vaga para estacionar por um bom tempo, lembrei de uma para pessoas com deficiência na rua que dá acesso ao bochincho da night.

Chegamos ao lugar que eu lembrava e minha primeira boa surpresa foi encontrar não uma, mas quatro vagas reservadas, com apenas uma ocupada, por carro de pessoa com deficiência, bem entendido. A segunda boa novidade foi ver que um dos guardadores de carros, quem diria, era um cadeirante, uniformizado e tudo.

Beleza! Estacionamos e fomos para nosso passeio, eu de muletas com ponteiras de borracha novas, compradas antes da viagem como itens de segurança junto com a revisão do carro. Embora os calçamentos das ruas sejam irregulares, não é difícil muletar ou tocar uma cadeira de rodas. É verdade que não encontrei tantos cadeirantes e muletantes como nos shoppings do Rio antes do Natal, pois apesar de a moçada estar saindo, ainda não chegou a Búzios com a mesma força.

Mas o guardador de carros cadeirante e o garoto que tocava a cadeira no meio do povaréu que batia perna já constituíram novidade de bom tamanho para mim, que frequento a cidade desde 1960, quando cheguei do Ceará com nove anos e passei um réveillon aqui, coincidentemente próximo à casa em que estou. Naquela época, a falta de acessibilidade era para todos, começava na estrada terrível que nos trazia e quem morava ou tinha casa de veraneio na região fazia questão de manter a situação daquele jeito para evitar que estragassem o paraíso com os pecados da civilização.

Há um bocado de tempo isso é coisa do passado e hoje o balneário vive um novo capítulo na sua história, só faltando o Manoel Carlos trazer a Luciana da novela “Viver a vida” para um fim de semana na bela casa de veraneio do seu pai. Acredito que ela não vai ter muitos problemas para fazer compras ou jantar na Rua das Pedras.

Deixando a sugestão acima para o novelista e para os cadeirantes da vida real, acho que as belezas naturais e arquitetônicas de Búzios e de todo o Brasil são excelentes molduras para a emancipação das pessoas com deficiência no turismo, estimulando-as e fazendo com que elas comecem a sair também de suas cidades, visitem os lugares que igualmente são seus e passem a viver mais a vida.

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