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03/07/2009 19:22 O abraço do afogado (2)
Folha Online, 03/07/2009:
Sarney diz a Lula que não renunciará nem pedirá licença do cargo
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) se encontrou hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por quase uma hora e meia. Nesse tempo, os dois conversaram sobre a crise que atinge a instituição provocada pela série de denúncias de irregularidades - que vão desde atos secretos para nomear parentes até a descoberta que um neto de Sarney negocia contratos de empréstimo consignados para funcionários do Senado.
Aliados do Palácio do Planalto disseram à Folha Online que Sarney disse a Lula que não pretende se licenciar nem renunciar à presidência do Senado.
Lula, por sua vez, manifestou apoio a Sarney e disse que também entendia que não havia necessidade de saída do peemedebista do cargo. Um aliado de Lula disse que o presidente afirmou que as denúncias não justificam “movimentos arriscados”.
A reunião entre Sarney e Lula ocorre logo depois da bancada do PT no Senado pedir o licenciamento temporário do peemedebista da presidência da Casa. Incomodado com a falta de apoio do PT, Sarney deu um ultimato e ameaçou renunciar. Lula entrou na negociação e avisou ao PT que a renúncia de Sarney provocaria instabilidade política ao país.
Enquadrado por Lula, o PT mudou de discurso. Ontem, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse que a manutenção dessa proposta dependerá da orientação do presidente Lula. “É claro que o presidente influencia o partido e a minha combatividade está a serviço dele. Isso não significa submissão ou enquadramento do partido, mas não me peçam um ato ingênuo, espontâneo que coloquem em risco a governabilidade, que passa pelo PMDB e pelo papel do presidente Sarney”, disse Mercadante.
Hoje, Mercadante disse que Lula entende que a saída de Sarney poderia trazer instabilidade. “O presidente Lula considera a crise grave e acredita que o melhor caminho é investigar com rigor, apurar os responsáveis e propor mudanças estruturais. Ele não concorda com a licença temporária porque para ele dificilmente Sarney voltará a presidir o Senado. Se ele sair, vai gerar uma crise política séria, um cenário de instabilidade”, disse.
Divididos
Apesar da posição de Lula, Mercadante disse que a bancada petista ainda defende o afastamento temporário de Sarney.
Os petistas do Senado devem voltar a discutir a crise que atinge a imagem da instituição na terça-feira. “A bancada deixou claro ao presidente Lula que nós achamos que seria um gesto de grandeza o afastamento temporário de Sarney, seria uma contribuição para superar a crise”, disse Mercadante.
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03/07/2009 19:21 Teatro acessível para pessoas com deficiência
Workshop – “Reflexões sobre a produção teatral acessível para pessoas com deficiência”
Organização: Mais Diferenças – Educação e Inclusão Social - 3/07 às 17h - Centro de Referência Cultura Infância, Teatro Municipal do Jockey
O teatro constitui-se em importante linguagem de sensibilização, conscientização e reflexão acerca da diversidade e da inclusão social. Acreditando nisso, e contando com a possibilidade de parceria com agentes e produtores culturais, a ONG Mais Diferenças defende e apresenta os fundamentos de um espetáculo que garanta acessibilidade para pessoas com deficiência, constituindo assim um avanço na luta pela inclusão social de todos. Durante a programação teremos sessões totalmente acessíveis para pessoas com deficiências…consulte a nossa programação no site do festival: www.fil.art.br
***
A LENDA DO PRÍNCIPE QUE TINHA ROSTO - RIO DE JANEIRO - teatro com uso de multimídia - Cia. De Teatro Artesanal • 3/07 às 20h no Centro de Referência Cultura Infância, Teatro Municipal do Jockey • +5 anos
• 45 min
São Paulo
• 7 e 08/07 às 16 horas no Teatro João Caetano
“A lenda do Príncipe que tinha rosto”, surgiu do processo de residência que está sendo vivenciado no Centro de Referência do Teatro para a infância e juventude, a convite da diretora Karen Acioly.
Um espetáculo não convencional, cuja estética passeia entre o gótico e o surrealismo, conta a história de um príncipe que nasce com rosto em uma terra de pessoas “sem rosto”.
Ele é mantido escondido em uma torre, pois o Rei e a Rainha temem que ele seja descoberto e maltratado pelo resto da população.
Porém, o príncipe descobre que não está sozinho e que a filha da ama real também guarda o mesmo segredo. Juntos resolvem fugir, chegando em um reino onde outras pessoas são como eles. Mas a saudade de casa, faz com que eles voltem para seu próprio reino, dispostos a lutarem juntos contra a intolerância.
O espetáculo não possui texto e a ação se desenvolve através de uma narração. Utilizando-se de bonecos de manipulação direta, sombras, máscaras e projeções multimídia, a história é contada através das diversas técnicas, priorizando a “corporalidade” do ator.
As músicas são todas do compositor russo do século XX, Sergei Prokofiev, pontuando o espetáculo com intensidades de grande lirismo e dramaticidade. A história, simples em sua narrativa, é facilmente compreendida pelo público de qualquer idade.
Espetáculo totalmente acessível para pessoas com deficiência
Autor: Gustavo Bicalho / Direção: Gustavo Bicalho e Henrique Gonçalves
Cenografia, figurinos e adereços:Fernanda Sabino, Henrique Gonçalves e
Karlla de Luca / Música: Sergei Prokofiev / Luz: Jorginho de Carvalho /
Elenco: André Pimentel, Bruno Oliveira, Débora Salem e Vírgínia Martins
Fonte: Nena Bouzan
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03/07/2009 19:19 A inserção de pessoas com deficiência em empresas brasileiras
Agência Inclusive, 02/07/2009:
A inserção de pessoas com deficiência em empresas brasileiras: um estudo sobre as relações entre concepções de deficiência, condições de trabalho e qualidade de vida no trabalho
A Inserção de Pessoas com Deficiência em Empresas Brasileiras: um estudo sobre as relações entre concepções de deficiência, condições de trabalho e qualidade de vida no trabalho, por Maria Nivalda de Carvalho Freitas. Universidade Federal de Minas Gerais.
Link para download:
http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/CSPO-72UKVU/1/maria_nivalda.pdf
RESUMO/ABSTRACT
Esta pesquisa, de natureza teórico-empírica, teve por objetivo investigar as relações entre a forma como a deficiência é vista pelos gerentes e pessoas responsáveis pela inserção de pessoas com deficiências nas empresas, as ações de adequação das condições e práticas de trabalho e a qualidade de vida no trabalho por parte das pessoas com deficiência. Mediante uma análise histórica, elaborou-se uma tipificação das principais concepções de deficiência que existiram ao longo do tempo, as quais permitiram a caracterização de padrões de percepção da deficiência e das possibilidades de trabalho das pessoas com deficiência. Foram analisadas, em uma perspectiva sociológica, e caracterizadas as condições sociais e materiais necessárias à inserção de pessoas com deficiência que não as colocassem em desvantagem em relação às demais.
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03/07/2009 19:15 SIVC - Sistema Integrado de Vagas e Currículos
Prezados amigos, conhecidos e conhecidos dos conhecidos:
Peço que vocês acessem, utilizem e divulguem o Sistema Integrado de Vagas e Currículos, disponível no endereço www.selursocial.org.br, que estou ajudando a divulgar. Essa página permite que pessoas com qualquer tipo de deficiência cadastrem seus currículos no mundo virtual com autonomia, independência e segurança, e que as empresas disponibilizem as vagas de emprego, também de maneira acessível.
Os usuários do Sistema podem, além disso, acessar o perfil de cada cargo e de cada candidato, construindo seu próprio conhecimento a respeito deles.
O SIVC tem abrangência nacional. Ou seja: pessoas do Brasil inteiro podem e devem se cadastrar.
É importante ressaltar que cada etapa do desenvolvimento do site foi planejada cuidadosamente, tendo como referência as normas do Consórcio W3C, grupo de instituições do mundo todo que discute e estabelece normas de acessibilidade na Internet, iniciativa importantíssima, tendo em vista que cada desenvolvedor elabora seu site como mais lhe convém, desconsiderando a pluralidade de usuários que vai efetivamente interagir com ele.
Lembramos ainda que aspectos como conhecimento sobre a temática da deficiência, adequação da linguagem à diversidade humana e constante profissionalismo além, é claro, das parcerias com diversos patrocinadores, foram fundamentais para a viabilização desse projeto.
Grande Abraço, e muito obrigada!
Cristiana Mello Cerchiari
Fonte: Marta Almeida Gil
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01/07/2009 22:21 O abraço do afogado
Folha Online, 01/07/2009:
Lula diz que oposição quer ganhar presidência do Senado no tapetão; tucanos rebatem
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que a oposição quer ganhar a presidência do Senado no tapetão. Vários partidos pediram o afastamento temporário de Sarney até o final das investigações sobre os atos secretos do Senado e dos contratos de empréstimo consignado para funcionários da Casa.
“É importante para o DEM e PSDB, que querem que ele [Sarney] se afaste para o [senador] Marconi Perillo [PSDB-GO] assumir, o que não é nenhuma vantagem para ninguém. A única vantagem é para o Marconi Perillo e para o PSDB, ou seja, que quer ganhar o Senado no tapetão. Assim não é possível. Isso não faz parte do jogo democrático”, disse Lula em Sirte, na Líbia, onde participou da cerimônia de abertura da Cúpula da União Africana.
(Saiba mais)
***
Leia também:
Noblat: Sarney decidiu renunciar à presidência
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01/07/2009 16:29 Noblat: Sarney decidiu renunciar à presidência
O Globo Online, Blog do Noblat, 01/07/2009:
Sarney espera Lula para renunciar à presidência
O senador José Sarney (PMDB-AP) passou o dia, ontem, nervoso. Suas mãos tremiam. O rosto estava congestionado. A família temeu pela saúde dele.
Hoje, quem esteve com Sarney encontrou um homem calmo, em paz. É sinal de que tomou uma decisão quanto ao seu futuro. Aguarda somente a chegada de Lula ao Brasil para informá-lo em primeira mão.
Sarney não se licenciará do cargo de presidente do Senado - renunciará a ele. Informou à mulher e aos filhos.
A licença prolongaria seu desgaste. E a presidência do Senado ficaria entregue a Marconi Perilo, o primeiro-vice-presidente.
Perilo é do PSDB. E Lula o detesta. Foi Perilo que alertou Lula sobre o pagamento de mesadas a deputados federais muito antes de Roberto Jefferson detonar o escândalo do mensalão.
Lula não deu bola ao que ouviu de Perilo. E Perilo, depois, lembrou publicamente que advertira Lula a respeito.
A renúncia obrigará o Senado a eleger um novo presidente em um prazo de dois meses. Como dono da maior bancada, o PMDB indicará o nome para substituir Sarney.
É possível que Lula demova Sarney da decisão de renunciar? Possível, é. Mas não é provável. Sarney poderá argumentar que foi abandonado pelo próprio partido do presidente - o que é verdade.
***
Leia também:
Sem saída,
Pior é impossível,
A Desobediência Civil,
Cadeia!,
Jogo dos sete erros,
Cerimônia do adeus,
Cachorro morto,
Por um fio,
Esse filme a gente já viu,
Dupla face,
Filha de Sarney em Trem da Alegria de 1986!,
Esperteza demais,
O que não tem remédio,
Eu?,
“Sarney é um grande ladrão”,
Você decide: o Brasil é injusto com José Sarney?,
Eu?,
A democracia precisa mesmo de Senado?,
Sarney está certo sobre boi e piranha,
Enquanto isso, no Maranhão…
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01/07/2009 09:46 Por quê sou contra um estatuto
Blog Inclusão: ampla, geral e irrestrita, 30/06/2009:
Por quê sou contra um estatuto
FÁBIO ADIRON
“Triste não é mudar de idéias… Triste é não ter idéias para mudar!” - Barão de Itararé
Ressurgiu essa semana a discussão sobre a necessidade ou não de um estatuto especial para as pessoas com deficiência. O motivo é um projeto de lei (na verdade vários projetos que foram apensados) com essa proposta. O projeto que está em discussão é um lixo. Quanto a isso há consenso geral em todo o movimento em defesa das pessoas com deficiência. Ele apenas serve aos interesses daqueles que vivem da exclusão e da segregação. Por isso, nem vou entrar no mérito do mesmo.
Acredito que a discussão de fato é, mesmo que o projeto fosse bom, seria necessário um estatuto? (seria necessário qualquer estatuto?)
Do ponto de vista legal, temos uma infinidade de leis específicas para pessoas com deficiência. Algumas boas, muitas ruins ou antiquadas. Algumas garantidoras de direitos, outras apenas concessão de privilégios. O problema não é a falta de leis, mas a falta do cumprimento delas. Temos muitas leis que nunca foram regulamentadas. Outras tantas que, apesar de regulamentadas, não são fiscalizadas. Pior, uma grande parte das leis não tem mecanismos de punição para quem as descumpre, o que as torna completamente inóquas.
No ano passado conseguimos a ratificação da Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, com status de norma constitucional. Certamente é uma convenção discriminatória (lembrando que discriminar significa “fazer distinção”) pois assume a existência de uma categoria diferente de seres humanos que não estariam cobertos pela declaração universal do direitos humanos. Mesmo assim foi um grande passo para uma população que, antes, não só não era considerada humana, como também não tinha acesso a direitos.
Nesse contexto a convenção passa a ser a diretriz para qualquer lei que venha a ser criada e para a revisão das leis que a contrariem.
Os defensores do estatuto entendem que existe a necessidade de se fazer uma consolidação das leis a respeito das pessoas com deficiência, e o estatuto seria o instrumento para isso. Durante um tempo eu também acreditei nisso.
Um estatuto é uma lei orgânica ou regulamento especial por que se rege um Estado, corporação, associação, companhia, etc. Ele serve para regular questões essenciais, questões referentes a comportamentos, atitudes das pessoas dentro de uma sociedade comum.Oras, se a sociedade é comum a todos, para que uma lei que proteja especialmente alguns? Ah, dirão alguns, porque são grupos historicamente discriminados, porque são cidadãos em estado de maior fragilidade.
Nesse caso não seria o suficiente aplicar a lei que serve para todos? Os direitos de todos não são válidos para as crianças, para os idosos, para qualquer cor ou etnia? Não serão bons inclusive para as pessoas com deficiência? Uma sociedade que não precise ser dividida em castas não é o nosso sonho de sociedade inclusiva?
Como o próprio Estado não cumpre as leis que tem, passa a inventar novas leis (que também não são cumpridas). Isso não passa de estratégia caça-votos (claro, se não fosse, porque então os legisladores se pegam de tapas para ter seu nome na lei?) ou estratégia diversionista - enquanto a gente fica anos discutindo a lei, ganha-se tempo para não cumprir as que existem.
Pergunta-se então: a quem serve uma sociedade que o estatuto quer edificar? Um país dividido em “castas” promoveria justiça para todos os excluídos das oportunidades econômicas, políticas, sociais e culturais? Seria a promoção da “casta” o melhor remédio contra a discriminação?
O que a sociedade precisa não é de mais leis, mas de criar e reforçar os instrumentos de controle para que as leis sejam de fato cumpridas. Isso está longe de acontecer. Numa sociedade em que cada um está preocupado só com o seu quintal não vai acontecer nunca.
Controle social dá trabalho, exige comprometimento, visão comunitária e isenta de preconceitos. Impossível numa sociedade em que todo mundo pratica alguns tipo de discriminação social.
É mais cômodo se deixar envolver pelas nuvens de fumaça.
***
Leia também:
Estatuto do coitadinho,
Eles não sabem o que fazem,
Estamos sendo enganados,
Que mêda!
Andrei Bastos | Deixe sua loucura aqui (0)
01/07/2009 09:41 PL-29: o caminho para a apartação cultural
Observatório do Direito à Comunicação, 29/06/2009:
PL-29: o caminho para a apartação cultural
Marcos Dantas
“O que restou na televisão aberta para os ‘baixinhos’, como diz Xuxa, passada a era das apresentadoras loiras?” – perguntou-se a Folha de S. Paulo, na reportagem sugestivamente intitulada “Quem precisa da TV aberta?”, assinada por Laura Mattos, publicada em 9 de novembro do ano passado. Não restou quase nada, responde. “As paixões da meninada hoje são ‘Backyardgans’, ‘Ben 10’, ‘High Scholl Musical’ e outros programas totalmente gestados em canais pagos”, informa. Esqueceu-se muito convenientemente de acrescentar: além de pagos, estrangeiros.
A mentalidade de milhões de crianças e jovens que, daqui a 20 ou 30 anos, começarão a assumir postos de responsabilidade e de liderança nas mais diversas atividades de nossa sociedade, da simples operação ou gestão de empresas, até a alta produção cultural ou direção política, está sendo, neste momento, integralmente formada por produtos simbólicos sem qualquer vinculação com a cultura brasileira e com alguma idéia de pertencimento e destino comum de nação. Mas, como diz com aparente ingenuidade a mesma matéria, aqueles e outros programas “estampam milhares de subprodutos, de DVDs a cuecas e macarrão instantâneo”. Habituam as crianças a naturalizar o consumo desmedido (de marcas importadas) e nada lhes ensinam sobre democracia, cidadania e projeto de País.
Cerca de 5,5 milhões de domicílios brasileiros já são atingidos pela TV paga. Em quase todos, encontram-se os canais Discovery Kids, Warner, Cartoon Networks, Disney, Nickelodeon e outros. É claro que esses domicílios são basicamente habitados pelas chamadas classe “A” e “B”, ou seja, burguesia e alta classe média. Neles se encontram as crianças e jovens com melhores condições de acesso à informação e educação, com elevado poder de consumo, destinadas, gostemos ou não, a sucederem seus pais e avós na condição de elite (econômica, política, intelec-tual, cultural) do País, daqui a alguns anos. Voltando a se comportar como as elites que tínhamos até meados do século XX, esta será, de novo, uma elite de costas para o Brasil, que aprenderá a olhar (já está começando a aprender) com profundo desprezo para a nossa história e para a nossa cultura, sobretudo para a nossa rica cultura popular. Uma elite americanalhada.
Este é ou deveria ser o ponto central do debate em torno da PL-29. Seria uma oportunidade para, corrigindo o equívoco da cultuada Lei do Cabo, submeter o audiovisual, qualquer que seja o seu meio de propagação e difusão, aos princípios expressos nos artigos 221, 222 e 223 da nossa Constituição. Ora, quando a Constituição foi elaborada, no final dos anos 1980, a produção cultural somente poderia ser veiculada, além da imprensa escrita e das salas de cinema ou teatro, através do rádio e da televisão.
A Constituição por isto só tratou destes. Hoje, aquelas missões que a Constituição atribuiu ao rádio e à TV propagados por sinal eletromagnético aberto, precisam também, sob pena de total incoerência, além de atentado contra o futuro do Brasil, serem estendidas ao sinal eletromagnético fechado, pago ou codificado. A televisão, seja por que meio for, seja por VHF, cabo, satélite ou celular, não pode deixar de atender aos mandamentos constitucionais: preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais, informativas; promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente; regionalização da produção cul-tural e respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
A TV paga, desde que deu os seus primeiros passos no Brasil, jamais atendeu a esses ditames da nossa Constituição. Não está a serviço do desenvolvimento cultural e econômico brasileiro. É verdade que se pode questionar se a TV aberta atende àqueles princípios. Pode-se e deve-se. Mas, hoje, quando, cada vez mais, a TV paga vai se tornando o principal meio de informação e entretenimento da população (nos EUA já atinge 90% dos lares; em todo o mundo, já chega a quase metade dos lares com TV), há que se afirmar, contra os dogmas do mercado e da ideologia consumista, que ela também precisa ser objeto de regulamentação que reconheça e estabeleça a sua finalidade primeiramente educativa e cultural; que nela imprima também princípios de regime público; que dela faça igualmente instrumento de políticas públicas em benefício da maioria da nossa sociedade.
A princípio, o debate sobre a regulamentação da TV paga deveria estar inserido no debate maior sobre a regulamentação de toda a indústria brasileira de comunicações, a ser travado na Iª Conferência Nacional de Comunicação. No entanto, enquanto a Confecom debate no abstrato, sem maiores poderes decisórios, o PL-29 avança no concreto, podendo vir a decidir sobre a TV paga no Brasil ainda este ano, assim criando fatos consumados. Por isto, é preciso debatê-la já!
O último substitutivo produzido pelas idas e vindas da Câmara assinala um enorme retrocesso diante de tudo o quê, mal ou bem, se havia conseguido avançar, enquanto o PL esteve aos cuidados do engenheiro de telecomunicações e deputado carioca Jorge Bittar. Retrocesso na forma e no conteúdo. O substitutivo de Bittar era formalmente bem elaborado e claro. Este último, apresentado pelo advogado e deputado paraibano Vital Rego Filho (PMDB), é confuso, não raro contraditório.
Um exemplo. O seu artigo 16 diz que “nos canais de programação e catálogos que veicularem mais de 3h30 de conteúdos brasileiros que integrem espaço qualificado, no mínimo 50% (cinqüenta por cento) dos conteúdos excedentes deverão ser produzidos por produtora brasileira independente”. Pelo que está aí escrito – e a lei vale pelo que está escrito – não é possível saber se esse tempo de “3h30” é diário, semanal, mensal, anual… E como definir “conteúdos excedentes”? Será aquele que ultrapasse esse tempo de “3h30”? Caso esse “excedente” seja de 1 minuto, o tempo da produção brasileira independente será de 30 segundos?
Já o projeto do deputado Bittar, ao menos era objetivo: qualquer canal cuja programação fosse majoritariamente definida como “qualificada” (isto é, canais de filmes, documentários, desenhos animados etc.), estaria obrigado a transmitir, no mínimo, 3h30 semanais de conteúdos brasileiros, metade dos quais gerados por produtoras independentes. Pode-se considerar pouco. Nas suas primeiras versões, Bittar exigia mais. Mas aqui está claro qual será o tempo dedicado à produção brasileira, desta regra não se excluindo nenhum canal estrangeiro de filmes, documentários, desenhos etc. Já a regra pretendida pelo deputado paraibano, num texto tortuoso, pretende deixar de fora os canais estrangeiros e nada deixar muito claro sequer para os nacionais.
Outro exemplo? Pelo novo substitutivo, os “pacotes ofertados aos assinantes” deverão possuir, “pelo menos, um canal para veiculação exclusiva de conteúdo brasileiro em cuja programação, no mínimo, 12 horas diárias consistam em conteúdo brasileiro integrante do espaço qualificado restrito [leia-se, filmes, documentários, desenhos etc.], produzido por produtora brasileira independente”. Já o substitutivo do deputado Bittar determinava que os “pacotes” deve-riam possuir “pelo menos 25% de canais programados por programadora brasileira”, sendo que desses 25%, ao menos 1/3 deveria “ser programado por programadora brasileira independente”.
A diferença? Em um, o pacote pode ter 100, 200, 500 canais, e terá um canal supostamente brasileiro – algo como já é hoje o “Canal Brasil” perdido nos pacotes da NET. No outro, a cada 100 canais por exemplo, 25 teriam que ser canais realmente brasileiros, dos quais 8 não poderiam ser controlados por outras empresas da cadeia e todos teriam que veicular pelo menos 4 horas de filmes, documentários, desenhos etc (“espaço qualificado”). Haveria mais exemplos, o espaço porém é curto.
Infelizmente, esse debate não tem mobilizado os corações e mentes que poderiam atentar para as dimensões do problema. Com efeito, crianças, jovens e adultos não assistem à NET, nem à Sky, como não assistirão à Telefônica, à Oi ou à Claro. Crianças, jovens e adultos assistem, sim, ao Disney, ao Cartoon, à Fox, à Warner, aos Telecines, à CNN, eventualmente também à GloboNews ou ao Canal Brasil. O que está em discussão é se nesses canais de televisão que, hoje, já substituíram a Globo, a Record ou o SBT no gosto da nossa criançada bem nutrida e, mesmo, de boa parte dos nossos adultos endinheirados, haverá espaço para a cultura brasileira.
Ou não. Se não, desde já podemos prever mais um processo de apartação em nossa sociedade: dentro de uns poucos anos, as classes médias e altas estarão totalmente informadas e formadas pelos canais oriundos dos Estados Unidos, enquanto que ao nosso povão restará assistir aos Faustões, BBBs, Datenas ou Lucianas Jimenes. Daí para pior.
Marcos Dantas é professor do Dept. de Comunicação Social e coordenador do Instituto de Mídias Digitais da PUC-Rio. Integra o GTE do Fórum Mídia Livre e a Comissão Rio Pró-Conferência Nacional de Comunicação. Foi secretário de Educação a Distância do MEC e membro do Conselho Consultivo da Anatel. Este é o primeiro de dois artigos sobre o tema.
Andrei Bastos | Deixe sua loucura aqui (0)
30/06/2009 00:31 A Desobediência Civil
A Desobediência Civil
Henry David Thoreau
Obra atualíssima, embora publicada em 1848
A Desobediência Civil é o texto mais conhecido de Thoreau. Escrito em 1848 influenciou profundamente pessoas como Mahatma Gandhi, Leon Tolstoi, Martin Luther King e tantos outros.
Muito à frente de seu tempo, sua defesa do Direito à Rebeldia esteve, desde sempre, a serviço da luta contra todas as formas de discriminação. Lutou contra a escravidão nos EUA, pelos direitos das mulheres, em defesa do meio-ambiente, contra a discriminação étnica e sexual. Como pacifista Radical (indo à Raiz do mal que combate) recusou-se a pagar impostos a um governo autoritário que fazia mais uma guerra predatória na qual roubou mais da metade do território mexicano – este ato Radical de Desobediência Civil lhe custou um tempo na cadeia que lhe foi útil a escrever e deixar para a posteridade seus pensamentos – muitas vezes, diria mesmo que na maior parte delas, o lutador pelo que é VERDADEIRAMENTE Justo e Perfeito só é reconhecido postumamente após uma vida eivada de dissabores. Questão de escolha. Há aqueles que não compactuam com a injustiça, a prepotência, a arrogância ou o roubo. Há os que se acomodam. Quem se acomoda, em geral, vive melhor mas, como dizia Leonardo Da Vinci, não passam de meros condutores de comida, não deixando rastro algum de sua passagem pelo mundo exceto latrinas cheias…
Acerca de um Homem do Quilate de Henry David Thoreau ( 1817 – 1862 ) muito já se disse. Dele mesmo, guardo comigo algumas pérolas aforismáticas:
“Quando o súdito nega obediência e quando o funcionário se recusa a aplicar as leis injustas ou simplesmente se demite, está consumada a Revolução”
“A tirania da Lei não é abrandada por sua origem majoritária”
“Só cada pessoa pode ser juiz de sua própria vida”
“Não é suficiente ser deixado em paz por um governo que pratica a corrupção sistemática e cobra impostos para fazer mal a seu próprio povo!”
(Clique aqui para ler o texto na íntegra)
(Clique aqui para página de download do texto em PDF)
Andrei Bastos | Deixe sua loucura aqui (0)
28/06/2009 12:54 Cadeia!
Eu?
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